O privado que virou público
Hoje, com a facilidade da tecnologia e a necessidade de contato, as pessoas se contaminaram pela modernidade que dita a ordem: se expor. Assim, revelam suas características pessoais se integrando no circulo da comunicação. Tudo é muito diferente do tempo de nossos pais e avós onde tudo era muito mais privado.
As pessoas procuram a exposição, o culto pela boa imagem é unânime. Todos almejam os famosos 15 minutos de fama. Surgem os paparazzis, os reality shows ”zelando” por esta “vitrine”.
Este culto vem da era da imagem imperada pelo uso de material plástico, ferramenta maleável e muito utilizada na produção de novo e diferenciado design. Isto se refere também aos produtos de consumo onde o que vale é se destaca em meio a tantos outros.
A padronização entra em decadência e a personalização impera no mundo contemporâneo. Produtos diferenciados tornam-se verdadeiros objetos de desejo. A cor dos eletrodomésticos é escolhida de acordo com a preferência do cliente bem como a customização das roupas.
A busca pelo diferente e único é almejada por todos. A personalização se amplia chegando ao mundo digital no formato de ” home page pessoal” seguido dos blogs e, recentemente, em forma de portais de relacionamento como Orkut e Twitter, com os quais é possível colocar informações pessoais como suas fotos, opiniões e gostos.
A vida torna-se totalmente exposta.
Mas até que ponto se tem controle sobre essa falta de privacidade?
É muito legal poder compartilhar informações com os amigos e colegas porém, a internet é um local totalmente público permitindo assim a ” invasão” de qualquer um nos portais ditos “pessoais” . Estes “invasores” poderão se apropriar e utilizar as informações como bem entenderem. Aqui, entra o fato do mundo digital possibilitar a formação de um usuário ativo e produtor. Embora isto seja positivo, ao mesmo tempo torna-se negativo pela falta de controle sobre a produção de conteúdo elaborado por cada internauta.
Outro exemplo é a sede insasiavél dos paparazzis de plantão que vigiam a todo instante a vida de celebridades em busca de um escandâlo. Por outro lado, essas celebridades “necessitam” alimentar este sistema para permanecerem na mídia. Com isto um circulo vicioso acaba se formando devido ao grande mercado consumista doente por informações. Foi exatamente este o motivo da trágica morte da princesa Diana: ambição e curiosidade desmedida.
Acredito que sejam necessários limites para que haja controle sobre o “público-privado” .
Post escrito a partir da leitura do texto ” Vivemos em plena era da exposição ” .
